Docentes protestam contra retorno das aulas presenciais em Vitória durante a pandemia

No mesmo dia, o governo estadual também anunciou retorno das aulas presenciais para educação infantil e ensino fundamental I em municípios de risco alto.

Professoras/es protestaram contra a decisão do prefeito Lorenzo Pazolini (Republicanos) de retomar as aulas presenciais nesta segunda, 10. A carreata, que teve apoio da Adufes e de diversas entidades, saiu da Ufes, campus de Goiabeiras, e terminou em frente à Prefeitura, onde foram colocados bonecos e cruzes, simbolizando os mortos pela Covid-19. A atividade de luta atendeu às recomendações sanitárias de prevenção à doença.

As/os manifestantes denunciaram mais uma vez a política genocida que envolve o retorno das aulas. A comunidade escolar também reivindica a abertura de diálogo com a gestão municipal, conforme afirma o Grupo Professores Associados pela Democracia de Vitória (Pad-Vix). Para o diretor executivo da Pad-Vix, Aguinaldo Rocha de Souza, o prefeito Pazolini está jogando a população contra as/os trabalhadoras/es da educação.

“O retorno das aulas é uma decisão que foi tomada sem diálogo com a comunidade escolar e de forma irresponsável”, disse Aguinaldo, salientando que se espera de um prefeito é que tenha responsabilidade com toda a cidade e dialogue com a comunidade antes de tomar qualquer decisão. Ao final do ato, um grupo de professoras/es foi até o gabinete, na tentativa de agendar uma reunião, mas sem sucesso.

A decisão de Pazolini, de acordo com a presidenta da Adufes, Ana Carolina Galvão, expõe a comunidade escolar, bem como toda a sociedade.  “A curva de contágio do novo Coronavírus só cresce e o número de pessoas imunizadas no Brasil não chega a 10% da população”, destaca, lembrando que vacinar professoras/es e forçar o retorno presencial sem vacinar alunas/os e outras/os trabalhadoras/es é genocídio, e que, neste momento, a melhor estratégia continua sendo a vacinação em massa e o isolamento social.

Entidades que organizaram a carreata. A carreata resultou de decisão da plenária realizada pelo grupo Pad-Vix, na última quarta (5). O ato, que a Adufes também ajudou a construir, envolveu a Campanha Nacional pelo Direito à Educação; Coletivo Educação Pela Base; Coletivo Juntos Pela Educação Pública; CSP Conlutas; Frente Popular em Defesa do Direito à Educação; Fórum de Diretores de Vitória; Fórum de Educação de Jovens e Adultos; Fórum Permanente de Educação Infantil do Espírito Santo (Fopeies); Instituto Raízes; mandato da vereadora Camila Valadão (Psol); Sindicato Nacional dos Servidores da Educação Básica, Tecnológica e Profissional (Sinasefe/Ifes); Sindicato dos Professores do Espírito Santo (Sinpro/ES);  Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Vitória (Sindsmuvi).

Municípios em risco alto. No mesmo dia da carreata o governador Renato Casagrande (PSB) anunciou o retorno presencial das aulas na educação básica e nos anos iniciais do ensino fundamental nos municípios considerados de risco alto para Covid-19, que são todos da Grande Vitória, além de Alegre, Anchieta, Boa Esperança, Cachoeiro de Itapemirim, Conceição do Castelo, Ecoporanga, Guaçuí, Irupi, Mantenópolis, Marataízes, Marechal Floriano, Muniz Freire, Pedro Canário, Pinheiros, Presidente Kennedy, Rio Bananal, São José do Calçado e Vila Valério.

As aulas presenciais estão previstas para reiniciar na segunda-feira (10), com até 50% da ocupação da sala. Assim como Lorenzo Pazolini, o Governo do Estado tomou a decisão cedendo à pressão das empresas privadas do ramo do ensino, sem qualquer respaldo das autoridades sanitárias, nem diálogo com a comunidade escolar.

Diretoria da Adufes se manifesta em nota. No último sábado, 8, a diretoria do sindicato publicou nota em que repudia a reabertura das escolas e salienta que “Ainda que a Adufes esteja alinhada e comprometida com a classe trabalhadora em geral e com as lutas da educação em particular, é preciso salientar que a entidade não é representante sindical da categoria docente da educação básica, razão pela qual foge à sua responsabilidade acionar a base de professoras/es que retornarão ao trabalho, colocando suas vidas em risco a partir de segunda-feira. A tarefa de chamada de assembleia, para decisão coletiva e amparada pelas/os docentes, podendo, inclusive, culminar em deliberação de greve sanitária para proteção da categoria, cabe ao Sindiupes, a quem apelamos para que além de medidas administrativas, dialogue com sua base e não apenas com o judiciário e com os governos, assim como já anunciou o Sindicato dos Servidores Municipais de Vitória (Sindsmuvi)”. Leia a nota completa aqui

 

 

 

 

 

 

 

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